15 de setembro de 2025
COP 30: Mutirão feminino pela ação climática conta com participação de mulheres quilombolas no Rio Grande do Sul
Liderança da CONAQ destaca a importância da representatividade do movimento em agendas de diálogo com autoridades nacionais
Na última sexta-feira (12), Porto Alegre teve um encontro potente que reafirmou o protagonismo feminino na luta pela justiça climática. A cidade recebeu a Oficina “Vozes dos Biomas Rumo à COP30”, iniciativa que integra o ciclo de escutas nacionais preparatórias para a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a ser realizada em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro.
O evento, realizado no Rio Grande do Sul, reuniu lideranças quilombolas, especialistas e representantes de movimentos sociais. Entre as autoridades presentes, destacaram-se a primeira-dama Janja Lula da Silva e a deputada estadual e ex-secretária de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, que participaram dos debates sobre equidade de gênero, proteção dos territórios tradicionais e justiça climática.
Vozes quilombolas no centro da agenda

Foto: Acervo/CONAQ
Entre os destaques da programação, o coletivo de mulheres quilombolas da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) marcou presença, levando a pauta da defesa territorial e da representatividade direta das comunidades para o centro do diálogo.
Em depoimento, Tereza de Jesus da Silva, integrante do coletivo de mulheres da CONAQ e secretária da Federação das Associações das Comunidades Quilombolas do Rio Grande do Sul (FACQ/RS), reforçou a importância desse momento:
“Nós tivemos agora o final de semana, fizemos duas atividades aqui no Rio Grande do Sul. É importante a gente destacar o movimento de mulheres do coletivo, onde participamos da agenda com a Janja e a Macaé Evaristo. Foi um momento de grande reconhecimento para todos nós.”
A liderança quilombola ressaltou ainda a necessidade de vigilância frente a tentativas de apropriação política de espaços de decisão por organizações externas que não representam os quilombos.
“É muito importante destacar que nossas lideranças quilombolas estejam nesses espaços, porque sabemos que tem um monte de gente querendo tragar nossos lugares e engolir a gente viva. Esse destaque é de importância para todos nós”, completou.
Preparação para a COP 30

Foto: Acervo/CONAQ
A iniciativa é parte da mobilização nacional rumo à COP 30 e busca garantir que a perspectiva das mulheres, em especial de povos e comunidades tradicionais esteja presente nas negociações internacionais.
A presença das quilombolas gaúchas deu ênfase à defesa do bioma Pampa, um dos mais ameaçados pela expansão do agronegócio e pelas mudanças climáticas. Nesse sentido, a oficina foi também um ato de resistência, pois não há justiça climática sem ouvir quem há séculos protege os territórios, a biodiversidade e os modos de vida sustentáveis.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota no Oceano, publicado às 16:29:36
Categoria: COP30