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21 de julho de 2025

CONAQ tem mais de 30 quilombolas eleitos para representar territórios na CONAPIR

“O destaque vai para a Juventude da CONAQ, que aparece em peso na lista de candidatos eleitos”

A última quarta-feira (16) foi um dia memorável para a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (CONAQ), que participou ativamente da elaboração de propostas, da votação para a escolha delas, e da eleição de delegados do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR). 

 

O Teatro dos Bancários, em Brasília, foi o grande palco dessa celebração, reunindo lideranças quilombolas de mais de 20 estados, representantes da sociedade civil e governamental, para dialogar sobre as principais demandas e anseios da população quilombola no que tange aos seus direitos na luta pelo território e pela subsistência, e para eleger, mediante votação, 30 delegados, entre titulares e suplentes, para composição do CONAPIR.

 

No diálogo provocativo, algumas lideranças enfatizaram a importância da representação e da incidência quilombola nos espaços de decisão que refletem os modos de vida das comunidades. Cida Sousa, coordenadora executiva da CONAQ, mencionou a importância de garantir que os 30 delegados fossem quilombolas, para que pudessem, de fato, representar quem está na base.

Crédito: Pedro Garcês/Comunicação CONAQ

 

 

“Quando a gente fala de justiça climática, a gente tá falando de justiça racial. Não tem como separar as duas coisas. Nós também somos a solução para essa crise climática, porque é nos nossos territórios que tem água limpa e  floresta em pé.

 

 Na COP 30,  a gente quer pautar os nossos territórios na transição justa e levar  nossas demandas para as esferas globais. Isso é muito importante para promover a reparação e justiça. 

 

Muitas vezes repetimos as mesmas pautas, enfrentamos as mesmas dificuldades, e isso é cansativo, muitas vezes desanimador. Mas entendemos que a democracia no nosso país só se constrói assim. Por isso, reafirmar a luta contra o racismo e defender o ‘Nenhum quilombo a menos’ é necessário.” Concluiu Ronaldo dos Santos, Secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais.

Crédito: Pedro Garcês/CONAQ

 

Esse momento de troca impulsionou a criação de 5 projetos de leis, a partir dos seguintes temas: 

  • Como fortalecer e impulsionar a pauta negra no legislativo brasileiro?
  • Como superar os desafios da participação negra nos espaços do Poder Público?
  • Como fortalecer o Sistema Nacional de promoção da Igualdade Racial no âmbito federal e subnacional?
  • Quais as estratégias necessárias para promoção da justiça climática e a superação do Racismo ambiental? 

Seguiu-se logo após para o momento de votação. Das 5 propostas, 3 delas seriam efetivadas como leis, a  proposta mais voltada pelo público, seria efetivada imediatamente, a segunda e a terceira mais votada, seguiria para votação no Senado. 

Aqui estão elas: 

  1. Fortalecimento Institucional e Participação Política: Garantir o fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR) e a efetivação de mecanismos que assegurem a representatividade quilombola em todas as esferas de decisão. Isso inclui a obrigatoriedade de conferências de igualdade racial em municípios, estados e Distrito Federal, a criação e implementação de legislação específica em todos os entes federativos, assegurando consultas prévias em assuntos relativos às comunidades quilombolas, e a criação de dispositivos que viabilizem a ocupação de cadeiras e o aumento de fundo partidário para candidatos quilombolas no legislativo. 
  2. Regularização Fundiária e Proteção Territorial: Garantir a regularização fundiária dos territórios quilombolas para a garantia do direito à terra e à vida digna, assegurando recursos orçamentários específicos, desburocratização dos processos de titulação, e combater as ameaças e violências territoriais por meio de mecanismos de proteção às lideranças quilombolas e de fiscalização do desmatamento. 
  3. Desenvolvimento Socioeconômico e Justiça Climática: Desenvolver programas e políticas que promovam o trabalho digno, a renda justa e igualitária, e a justiça climática para as comunidades quilombolas. Isso abrange a criação de linhas de crédito exclusivas, o fomento à economia solidária,a revitalização de comunidades atingidas pelo racismo ambiental, a garantia de infraestrutura básica, como saneamento e energia elétrica, e a implementação de uma política fiscal justa. 
  4. Acesso a Direitos Sociais e Culturais: Assegurar o acesso equitativo a serviços essenciais como educação, saúde e assistência social, bem como promover a valorização e difusão da cultura quilombola. Isso inclui fiscalização da aplicação de legislações existentes, garantia de recursos para políticas específicas, e a democratização dos veículos de comunicação para fortalecer a voz e a representatividade quilombola. 
  5. Reparação Histórica e Combate ao Racismo: Garantir políticas de reparação racial e de combate ao racismo estrutural por meio da formulação de políticas que reconheçam e corrijam as consequências da escravização e do colonialismo. Isso demanda a revisão, análise e monitoramento contínuo de políticas e práticas, bem como a promoção de uma política fiscal justa que redistribui recursos e contemple as especificidades das comunidades quilombolas. 

Crédito: Pedro Garcês/CONAQ

 

Como resultado,  a proposta de N°2 saiu na frente com 33 votos, sendo a mais votada. Em segundo lugar tivemos a proposta de N°3 (27 votos), e por último, mas não menos importante, a proposta de N°1 ( 24 votos). 

 

 Encerrando com muito axé a 5° Conferência Temática de Comunidades Quilombolas, foram eleitos mais de 30 delegados Quilombolas para representarem seus territórios no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR). 

 

ESTADO TITULAR SUPLENTE
Alagoas Genilda Maria da Silva Ana Kelly da Conceição Damasceno Silva
Manuel Oliveira dos Santos Rosenildo Henrique Santos das Flores
Amapá  Joelam Menezes Rosimeire Damaceno
Amazonas Sebastião Douglas dos Santos Castro
Bahia José Ramos de Freitas José Jorge Alves Ponte
Marilza Pereira Gomes Floriceia Carvalho das Neves
Ceará Adda Vyctoria Caetano Aurila Sales
Espírito Santo Domingas Veronica Florentino dos Santos Neisiane Machado Ribeiro Alves
Goiás Domingas Gouveia de Carvalho Regimara Pereira dos Santos – Juventude da CONAQ
Maria de Fátima Pereira Tertuliano Eriene dos Santos Rosa
Maranhão Maria Auxiliadora Marques Teixeira
Mylena Pereira da Cruz – Juventude da CONAQ
Mato Grosso  Isabel Garcia de Farias Silva Arlete Pereira Leite
Minas Gerais Vandeli Paulo dos Santos
Pará Erika da Cruz Gonçalves Isaias Neri Rodrigues
Valéria de Jesus Almeida Carneiro Brenda Marcelly Nunes Miranda
Paraíba Divina Sivirina da Silva Edilene Monteiro Fernandes
Paraná Gedielson Ramos Santos
Pernambuco Cícero Alexandre da Silva Maria Leonora Lourenço de Souza
Mario dos Santos Campos Junior Janaira Martins do Nascimento
Piauí Daiana de Souza Silva Maria Francisca Vieira de Almeida
José Antonio Nonato Edilson Feitosa Torres
Rio de Janeiro Ivone de Mattos Bernardo Elizabeth Fernandes Teixeira
Rio Grande do Norte Franciane Bezerra Nascimento Costa Adriana Ferreira
Rio Grande do Sul José Alex Borges Mendes
Rondônia Nucicleide da Paz Pinheiro Lourença da Silva Maciel
Roraima Manuel da Conceição Pereira
Santa Catarina Eliseu Santos Pereira Natalia Souza Pereira
Sergipe Irivan de Assis Santos Silva Alaide dos Santos
Tocantins Rita Lopes dos Santos

 

A eleição dos delegados quilombolas para o CONAPIR reafirma a força coletiva dos nossos territórios. Seguimos avançando na luta por direitos, reparação e justiça racial. Quilombo é presente e futuro!