27 de fevereiro de 2026
CONAQ solicita ação imediata para proteger quilombos atingidos e isolados pelas chuvas em MG
Movimento denuncia destruição de moradias, perdas na agricultura e isolamento de territórios e cobra atuação urgente
As fortes chuvas que atingem o estado de Minas Gerais nos últimos dias têm provocado alagamentos, deslizamentos e isolamento não apenas nas áreas urbanas, mas também em diversos territórios quilombolas. Diante da gravidade da situação, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) manifestou solidariedade às comunidades afetadas e solicitou ação imediata das autoridades.
Segundo informações, as precipitações intensas resultaram na destruição de moradias, perdas significativas nas lavouras de subsistência e na agricultura familiar, além da queda de pontes e interdição de estradas. Há relatos de famílias sem acesso regular à água potável, alimentos, energia elétrica e serviços de saúde. O levantamento dos territórios impactados ainda está em andamento, e pode haver outras comunidades afetadas que ainda não conseguiram comunicar sua situação, especialmente em áreas de difícil acesso.
Em nota, a CONAQ cobrou a atuação urgente da Defesa Civil e o envio de cestas básicas, água potável, colchões, medicamentos, kits de higiene, para quem sofreu prejuízos, além de apoio para a reconstrução das casas e das infraestruturas danificadas. O movimento também reivindica a atuação direta do Ministério da Igualdade Racial no acompanhamento da situação, garantindo que as comunidades quilombolas sejam incluídas e priorizadas nas ações emergenciais, com articulação entre municípios, estado e governo federal.

No Quilombo de Água Preta de Baixo, no município de Ouro Verde de Minas, uma família viveu momentos de tensão após uma pedra deslizar de uma encosta durante a noite e rolar por cima da casa. Em vídeo enviado ao movimento, um morador relatou: “Passou por cima de casa nossa aqui, moço. Parou no meio da estrada. Se essa pedra rolasse em cima de nossa casa aqui, ia matar nós todos. Foi um livramento.”
Além do risco de novos deslizamentos, pontes da região caíram ou estão prestes a ceder, impedindo a passagem de veículos e dificultando até o trânsito de motocicletas. Há registros de estudantes que não estão conseguindo chegar às aulas devido às condições das estradas. Até o momento, não há registro de mortes entre as comunidades acompanhadas.
O movimento ressalta que os quilombos enfrentam historicamente a ausência de políticas públicas estruturantes e que, em contextos de calamidade climática, essa vulnerabilidade se intensifica. “É dever do Estado brasileiro garantir proteção, dignidade e direitos às comunidades quilombolas”.
Confira a nota na íntegra aqui!
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 11:16:27
Categoria: Notas da CONAQ