11 de novembro de 2025
CONAQ segue reforçando protagonismo quilombola no debate climático global na COP30
A atuação do movimento quilombola destacou a importância das comunidades de base na construção de políticas climáticas inclusivas e no acesso a recursos internacionais.
O segundo dia de atividades da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) na COP30, realizado nesta terça (11), foi marcado por uma intensa agenda de incidência política e celebração da resistência quilombola. As ações reforçaram a centralidade das comunidades tradicionais na construção de estratégias de mitigação e adaptação à crise climática e a urgência de garantir o acesso direto a recursos para o fortalecimento territorial.
Na Zona Azul, o Fundo Quilombola Mizizi Dudu participou do painel de lançamento das Diretrizes do Fundo Verde do Clima para a Ação Climática Liderada Localmente: das Evidências para o Impacto Maior. O espaço reuniu governos e organizações nacionais e internacionais em um diálogo voltado ao fortalecimento do financiamento climático a partir de uma perspectiva comunitária e de base.
Durante o painel, as organizações presentes ressaltaram que o mundo vive um momento globalmente desafiador para o financiamento climático, exigindo mais compromisso, transparência e protagonismo das comunidades na construção das soluções. Representando o Fundo Quilombola, a coordenação destacou a importância de iniciativas que conectem justiça climática e dignidade territorial:
“Projetos como o Marajó Resiliente nos ajudam a ter minimamente uma vida digna e fortalecem nossa resiliência para que não sejamos obrigados a sair de nossos territórios e ir para as periferias das cidades. O movimento quilombola vem criando estratégias para garantir os direitos das comunidades e de suas populações. Criamos um mecanismo financeiro que busca não apenas garantir que os recursos cheguem diretamente às comunidades, mas também somar-se às iniciativas já existentes. É sobre garantir que possamos não apenas sobreviver, mas viver com dignidade em nossos territórios”, afirmou a coordenadora do Fundo Mizizi Dudu.
Representantes dos governos do Reino Unido e da Suécia reforçaram que é essencial cumprir compromissos de financiamento e investir em soluções sustentáveis de curto e longo prazo, com foco em quem vive na linha de frente dos impactos da crise climática.
CITAFRO e parceiros debatem solidariedade e justiça racial e climática
Ainda na Zona Azul, a Coalizão Internacional dos Povos Afrodescendentes para a Ação Climática (CITAFRO) marcou presença no Pavilhão da Fundação Ford, no painel “Solidariedade e Parceria com os Povos Afrodescendentes e Indígenas pela Justiça Racial e Climática”.
A mesa reuniu representantes da CITAFRO, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Coalizão Negra por Direitos e dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial. Entre as autoridades presentes estavam a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial) e Miguel Pereira, representando a Coalizão Negra.
O debate destacou o papel dos povos e comunidades tradicionais como protetores e guardiões dos territórios, reforçando a urgência de combater o racismo ambiental e de reconhecer que não há justiça climática sem território titulado. As lideranças também cobraram do governo brasileiro maior compromisso com a titulação dos territórios originários e tradicionais como base para políticas climáticas efetivas.
Rádio Nacional dos Povos

Foto: Jordan Dias
A iniciativa da APIB e CONAQ deu o pontapé oficial de sua cobertura colaborativa direto da COP30. Sob a condução de Nathalia Purificação e Yago Kaingang, a dupla abriram os trabalhos em um estúdio montado na Universidade Federal do Pará, às margens do rio Guamá, o espaço foi construído de forma coletiva, refletindo a diversidade e a força dos povos que o ocupam.
Ao longo da conferência 12 comunicadores atuando entre as zonas oficiais da conferência e os espaços dos povos, a rádio transmite vozes, saberes e sentimentos que emergem da floresta, dos quilombos e das cidades, levando ao público uma cobertura viva, plural e enraizada nos territórios.
Boa Vista +30 celebra três décadas de titulação quilombola

Encerrando o dia, a CONAQ participou da mesa redonda “Boa Vista +30: três décadas de titulação quilombola no Brasil”, realizada às 19h no Círculo dos Povos, espaço da Zona Verde (Green Zone) fomentado pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O evento, fruto de uma parceria entre o MIR, a CONAQ, a Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu), o Coletivo Pretas Maria, a Associação Comunitária da Comunidade Quilombola de Boa Vista (ACRQBV) e outras organizações, celebrou os 30 anos dos marcos de regularização fundiária quilombola no Brasil.
A mesa reuniu lideranças quilombolas e gestores públicos para discutir experiências, desafios e conquistas na titulação de territórios tradicionais, refletindo sobre seus impactos sociais, ambientais e climáticos. O diálogo abordou temas como conflitos fundiários, insegurança alimentar, escassez hídrica, enchentes e ondas de calor, apontando a titulação como pilar da justiça climática e da proteção da vida nos territórios.
O encontro também buscou fortalecer a cooperação entre comunidades afrodescendentes da América Latina, especialmente entre Brasil e Colômbia, promovendo a troca de saberes e estratégias de gestão territorial com foco na sustentabilidade e nos direitos climáticos.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota no Oceano, publicado às 22:05:20
Categoria: COP30