19 de junho de 2025
CONAQ representa comunidades quilombolas do Brasil no Fórum Global de Terras em Bogotá
Participação reforçou a luta por direitos territoriais e visibilidade internacional dos territórios
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) está representando o movimento quilombola brasileiro no Fórum Global de Terras 2025, que está acontecendo de 16 a 19 de junho em Bogotá, na Colômbia, reunindo lideranças de todo o mundo para debater justiça fundiária, direitos territoriais e a urgência da preservação dos territórios tradicionais frente à crise climática global.
Representando a CONAQ, participa do encontro o quilombola Marinho da Estiva, liderança nacional da organização e ativista quilombola de Direitos humanos e por justiça climática. Sua presença reforça o compromisso do movimento com a defesa dos territórios e o fortalecimento da articulação internacional das lutas negras rurais.
“Estamos aqui para dizer ao mundo que os quilombolas existem, resistem e seguem em luta por seus territórios, por dignidade e por justiça. Nossa terra é vida, é memória, é futuro”, afirmou Marinho durante uma das mesas de diálogo do Fórum.

CONAQ leva demandas históricas ao debate internacional
O movimento tem se posicionado de forma firme em Bogotá sobre temas centrais que afetam diretamente os quilombos no Brasil, como os entraves nos processos de titulação, os conflitos fundiários intensificados pelo avanço do agronegócio, e a ausência de políticas públicas específicas para as comunidades afrodescendentes rurais.
“Estamos denunciando a negligência histórica do Estado brasileiro com os nossos territórios. A titulação quilombola é uma dívida antiga que precisa ser paga com urgência. É uma questão de reparação, de justiça e de sobrevivência dos nossos povos”, destacou Marinho da Estiva.
Além da denúncia, a participação da CONAQ também tem sido marcada por propostas concretas de enfrentamento às desigualdades territoriais, com foco em soberania alimentar, agroecologia, segurança climática e valorização dos saberes ancestrais.

Durante o Fórum, o movimento tem articulado alianças com movimentos indígenas, campesinos e povos afrodescendentes de outros países da América Latina e Caribe e do continente africano, ampliando a frente de solidariedade internacional em torno da defesa da terra e dos bens comuns.
“Nos reconhecemos na luta dos nossos irmãos indígenas, camponeses e afrodescendentes de toda a diáspora. Estamos conectados por histórias de resistência, e juntos somos mais fortes contra qualquer forma de opressão”, declarou Marinho.
Com quase três décadas de atuação, a CONAQ tem sido uma referência nacional e internacional na luta por direitos territoriais, justiça racial e fortalecimento da identidade quilombola no Brasil. Sua atuação no Fórum Global de Terras 2025 reafirma que os povos tradicionais são protagonistas na construção de alternativas sustentáveis e justas para o planeta.

Organizado pela International Land Coalition (ILC), o Fórum Global de Terras é uma das principais plataformas mundiais de articulação entre comunidades tradicionais, movimentos sociais, pesquisadores e tomadores de decisão. A edição de 2025 acontece em um momento decisivo para os debates sobre terra, clima e direitos humanos em escala global.
A participação da CONAQ reforça que a luta quilombola é internacional, coletiva e essencial para a preservação da vida e da diversidade cultural e ambiental do planeta.
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 19:42:52
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