24 de junho de 2025
CONAQ reforça protagonismo quilombola em debate global sobre justiça climática e financiamento direto para mulheres
Movimento está participando da Semana de Ação Climática de Londres que defende o acesso direto aos recursos de conservação e clima
Hoje (24), a CONAQ marcou presença na Semana de Ação Climática de Londres (LCAW), representado por Kátia Penha, referência nacional na luta quilombola. O evento intitulado “A liderança das mulheres em ações climáticas e de conservação precisa de mais apoio financeiro” reuniu representantes de organizações de base da África, Ásia e América Latina, e teve como foco central a urgência de garantir financiamento direto, equitativo e com base em direitos para mulheres indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais.
O encontro foi coorganizado por instituições internacionais como a Rights and Resources Initiative (RRI), a Women in Global South Alliance (WiGSA), o Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIED), o Comitê de Mulheres da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) e o governo do Reino Unido, por meio do FCDO.

A voz quilombola no centro do debate climático
Durante o painel, a líder destacou o papel crucial das comunidades na preservação de ecossistemas estratégicos, como o Cerrado e a Amazônia. Em sua fala, ela denunciou a histórica exclusão das mulheres negras quilombolas das políticas públicas de meio ambiente e da distribuição de recursos internacionais voltados à crise climática.
Katia alertou que, embora sejam guardiãs da biodiversidade e mantenedoras de práticas sustentáveis de uso da terra, as mulheres quilombolas enfrentam múltiplas barreiras: racismo ambiental, negação do direito à terra, insegurança territorial e invisibilidade nos sistemas formais de financiamento.
Financiamento direto: uma questão de justiça e eficácia
Um dos pontos centrais do debate foi a divulgação de dados preliminares da pesquisa conduzida pela WiGSA e pela RRI, que revela que menos de 1% dos recursos globais destinados à conservação e à ação climática chega efetivamente às mulheres indígenas, afrodescendentes e locais em seus territórios. Essa realidade só será revertida com mudanças estruturais nos mecanismos de financiamento, que devem priorizar acesso direto, desburocratizado e contínuo, respeitando a autonomia e os saberes ancestrais dessas mulheres.
Monitoramento comunitário e produção de dados próprios
Outro aspecto abordado pela CONAQ foi a importância do monitoramento comunitário, liderado pelas próprias mulheres quilombolas, como instrumento de geração de dados confiáveis e desagregados por gênero e raça. Esses dados são fundamentais para influenciar políticas públicas, garantir transparência na gestão dos recursos climáticos e visibilizar as contribuições quilombolas à mitigação das mudanças climáticas.

Caminhos para a COP30 e além
O evento aconteceu em um momento estratégico, às vésperas da COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém do Pará, Brasil. Um dos objetivos da discussão foi justamente fortalecer o posicionamento das mulheres do Sul Global frente aos novos compromissos de financiamento climático esperados para a conferência.
A CONAQ, ao lado das demais organizações presentes, defendeu que a equidade de gênero e o reconhecimento de direitos territoriais devem ser pilares de qualquer nova rodada de financiamento internacional. Sem isso, qualquer compromisso global corre o risco de ser ineficaz e injusto.
O painel moderado por Helen Tugendhat, Codiretora Executiva, Programas e Engajamento, Synchronicity Earth, teve como participantes os membros da WiGSA:
● Devi Anggraini, Perempuam Aman, Indonésia;
● Katia Penha, CONAQ, Brasil;
● Chouchouna Losale, CFLEDD, RDC;
● Sara Omi, CMLTM, Panamá;
● Namnyak Sinandei, PWC, Tanzânia;
● Sushmita Lama, AIPP, Nepal.
A participação do movimento na Semana de Ação Climática de Londres reafirma o papel estratégico das mulheres quilombolas na construção de soluções reais e sustentáveis para a crise do clima e da biodiversidade. A presença de Katia Penha não foi apenas simbólica, mas política: um grito em defesa de justiça climática, territorial e de gênero. Ao levar a luta quilombola para o centro de um dos maiores fóruns climáticos do mundo, a CONAQ prova que não há justiça climática possível sem ouvir e financiar quem cuida da terra há séculos.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota No Oceano, publicado às 21:02:08
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