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29 de setembro de 2025

CONAQ realiza Pré-COP em Macapá e reafirma: não há justiça climática sem quilombo titulado

Encontro nacional contou com a participação da juventude e parceiros para fortalecer a incidência quilombola rumo à COP30 em Belém

Entre os dias 22 e 26 de setembro de 2025, Macapá, capital do Amapá, reuniu delegações quilombolas de diferentes estados do Brasil, autoridades governamentais, parceiros e organizações da sociedade civil, em um diálogo estratégico de incidências dos povos e comunidades afro-rurais frente a Conferência do Clima. 

O evento realizado pela Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), trouxe para o centro de debate a defesa de territórios, povos e comunidades tradicionais, com um forte lembrete: “Sem Quilombo titulado, não existe Justiça Climática”. 

Amazônia quilombola em pauta

 

 

Logo na abertura, após a mística de iniciação, o ambiente foi envolvido por uma gama de reflexões potentes, ressaltando inclusive, a importância de uma Amazônia Quilombola, que coloque em pauta a urgência da luta dos quilombos no  Brasil, porque são esses territórios que ao longo dos anos tem protegido as florestas e por isso precisam estar inseridos também nos espaços decisão que se referem a políticas públicas e climáticas. 

Temas centrais de debates

Foto: Pedro Garcês

Durante os  cinco dias de confluências, estiveram em evidência pautas como: 

  • Justiça Climática e Quilombo; 
  • Políticas públicas; 
  • Vozes quilombolas na agenda global; 
  • Educação escolar quilombola; 
  • Saúde mental; 
  • Autonomia dos Corpos e Territórios.

 

José Absalón, membro da CITAFRO, pautou a invisibilidade dos povos quilombolas nos documentos da COP 30, e frisou a necessidade da organização estratégica coletiva em apresentar demandas concretas frente às negociações da Conferência das Partes: “É preciso que estejamos inseridos na mesa de debates da COP30, porque somos o território com maior riqueza natural, e que mais prestam serviços para a razão climática”.

 

Sandra Braga, coordenadora Nacional da CONAQ lembrou que para falar de justiça climática é preciso de antemão ter os nossos territórios livres e garantir a continuidade deles a partir também do pertencimento territorial. Discorre ainda sobre a barreira do racismo ambiental, que muitas das vezes impede até mesmo o movimento de ir e vir dentro dos territórios. 

Juventude em movimento

 

Foto: Pedro Garcês

Não poderíamos deixar de mencionar a participação da juventude, recebemos os alunos quilombolas da Escola Família Agroextrativista do Carvão, da cidade Mazagão AP, que acompanharam com muito entusiasmo os diálogos apresentados em mesa. Compreendemos e valorizamos a importância dos nossos jovens estarem inseridos nesses espaços, que chegam a eles como formação política, e assim, são preparados para dar continuidade a luta daqueles que vieram antes de nós. Lembramos ainda que sem Educação Escolar Quilombola, não existe justiça climática. 

 

Incidência internacional

 

Foto: Pedro Garcês

A presença da Coalición Internacional de Territorios y Pueblos Afrodescendientes de América Latina y el Caribe (CITAFRO), deixa evidente que os quilombos estão em movimento, não só no Brasil, mas, ao redor do mundo. 

Depois de pautar o financiamento climático, o evento abriu espaço de escuta ativa na Cúpula dos povos, cada liderança trouxe seu posicionamento e apontou encaminhamentos de estratégias a serem consideradas na incidência frente a COP 30 em Belém.  

 

“Diante de todas as colocações que são necessárias e importantes para a participação dos nossos e das nossas, na Cúpula, a gente precisa ter a garantia de estar nesse espaço de negociação e construção, porque não dá mais pra ver os outros falando por nós, se nós somos potentes e podemos ter fala nesses espaços”. Cristina Quilombola, Coordenadora Nacional da CONAQ.

 

Uma agenda fortalecida

Foto: Pedro Garcês

Andrey Santos, Coordenador Nacional da CONAQ também falou sobre a importância da Pré COP: 

“A COP quilombola foi um espaço onde conseguimos construir um diálogo fortificado enquanto comunidades quilombolas, e a gente avançar a partir disso com a construção da carta que será entregue na Conferência das Partes, é muito gratificante. A gente conseguiu entregar a demanda que necessitamos para nossa pauta quilombola, realizar a pré-cop um mês antes da COP é muito importante porque as nossas falas se alinham, para poder discutir sobre nossos direitos dentro da Conferência Internacional do Clima, e a gente sai com um discurso fortalecido hoje, e agora é se preparar para a COP para avançarmos nesse diálogo com o governo e os outros países, também sobre financiamento climático, porque não se faz justiça climática sem investimento”.

 

Encerramento e próximos passos

Foto: Pedro Garcês

O encerramento desta confluência de povos, foi marcado pela apresentação da Carta do Amapá, documento  que unifica as demandas quilombolas para a agenda climática internacional e o lançamento do Manifesto, CONAQ ECOA Um Chamado Ancestral: Não há Justiça Climática sem Quilombo Titulado.

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