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15 de setembro de 2025

CONAQ marca presença na 11º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado em Brasília

Povos do bioma se reuniram para falar da importância da defesa do berço das águas

Entre os dias 10 e 13 de setembro em Brasília aconteceu o encontro e 11º  Feira do Cerrado, um encontro que reuniu quilombolas, povos indígenas, comunidades tradicionais, extrativistas, agricultores familiares, movimentos sociais e aliados na defesa de um dos biomas mais importantes do país.

Com o tema “Cerrado, berço das águas, coração do Brasil”, a feira apresenta a urgência da preservação desse território que abastece as principais bacias hidrográficas do Brasil e que, mesmo sendo essencial para a vida, segue ameaçado pelo avanço do desmatamento e pela falta de políticas públicas eficazes.

Um encontro de mobilização e resistência

Foto: Mylena Pereira/Comunicação CONAQ

 

Durante os quatro dias, a programação foi bem intensa, reunindo debates sobre clima, território, saúde, políticas públicas, sociobiodiversidade e saberes ancestrais. Além disso, vivenciamos momentos de mística, celebração e cultura popular, com apresentações artísticas, feiras de produtos tradicionais, rodas de capoeira e manifestações mostrando a diversidade dos povos do Cerrado.

As lideranças quilombolas tiveram voz ativa ao longo de toda a feira. Para Dona Ester Fernandes, vice-presidente da Associação Kalunga, o evento foi um espaço de escuta e denúncia: “Buscamos, junto às autoridades, que escutem o nosso clamor”. Já Lucely Moreira Pio, quilombola da Comunidade Cedro (GO) e vice-coordenadora da Rede Cerrado, destacou o protagonismo das mulheres: “Nossa participação simboliza a força das mulheres quilombolas na luta pela preservação do Cerrado e pela sustentabilidade dos nossos territórios”.

Do coração da política às vozes dos territórios

Foto: Mylena Pereira/Comunicação CONAQ

Um dos momentos marcantes foi o ato político-cultural em frente ao Congresso Nacional, que reuniu quilombolas e povos indígenas em manifestações de resistência, seguido de sessão solene na Câmara dos Deputados. O cerrado também precisa estar no centro das decisões políticas e que sem ele não há futuro para o Brasil.

À noite, a Feira da Sociobiodiversidade se transformou em um espaço de celebração, onde todos compartilharam sabores, artes, produtos da agricultura familiar e expressões culturais que mostram que resistir também é cuidar, celebrar e manter viva a ancestralidade.

Cerrado: berço das águas e esperança para o futuro

O Cerrado ocupa quase um quarto do território nacional e é conhecido como o “berço das águas” por abrigar as nascentes que alimentam as principais bacias hidrográficas do país. Apesar disso, apenas 8,21% do bioma está legalmente protegido.

Por isso, a feira também foi chamada de “COP do Cerrado”, especialmente neste momento de preparação para a COP30, que acontecerá em Belém (PA). Como lembrou a Rede Cerrado, levar a defesa do Cerrado para os espaços internacionais é urgente e estratégico: proteger o Cerrado é proteger o Brasil e o planeta.