16 de junho de 2025
CONAQ leva pautas quilombolas e ambientais ao Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) em Goiás
Lideranças participaram de debates, visitas a comunidades tradicionais e atividades culturais, fortalecendo a articulação em defesa dos territórios e da justiça socioambiental.
Realizado entre os dias 10 e 15 de junho de 2025, na cidade de Goiás, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), levou as vozes quilombolas ao centro dos debates sobre meio ambiente, racismo ambiental e regularização fundiária. E, é claro que a CONAQ não ficou de fora.
Durante o evento, que é um dos mais tradicionais eventos culturais e socioambientais do país, o movimento participou de mesas de discussão, atividades culturais e ações em campo. A articuladora política e coordenadora executiva da entidade, Sandra Braga, foi uma das vozes que contribuíram para reforçar a conexão entre a luta quilombola e a preservação ambiental.
“Foi muito boa a participação da CONAQ. Estivemos em uma mesa onde pude fazer uma fala sobre as questões climáticas e também sobre a titulação e regularização dos territórios quilombolas. Quando se fala em meio ambiente, é preciso também falar de tudo que nos protege e nos salvaguarda”, afirmou Sandra Braga.
A presença de nossa liderança no evento foi significativa para destacar que a proteção ambiental não pode ser dissociada da luta por território, sobretudo quando se trata de comunidades quilombolas, que historicamente preservam ecossistemas inteiros com base em modos de vida sustentáveis e coletivos.
Denúncia e resistência em solo goiano
Além da participação nos espaços oficiais do festival, a representante da CONAQ foi até o Quilombo de Santana, nas proximidades da cidade de Goiás. A presença no local evidenciou os desafios persistentes enfrentados pelas comunidades quilombolas, como o racismo estrutural e a ausência de políticas públicas básicas.
“Visitamos o quilombo de Santana com muita dificuldade. Ainda existe muito racismo, e as políticas públicas não chegam. Os problemas são os mesmos em muitos territórios: falta de infraestrutura, ausência de saúde e educação de qualidade, e descaso com a titulação de terras”, pontuou Sandra.
A visita reforçou a importância de articular ações entre diferentes territórios, levar denúncias a fóruns nacionais e internacionais e seguir ampliando a visibilidade das comunidades invisibilizadas pelas estruturas estatais.
Participação e intercâmbio com povos tradicionais
Outro destaque da participação quilombola no FICA foi a presença na Tenda Multiétnica, espaço dedicado ao intercâmbio entre diferentes povos tradicionais indígenas, quilombolas, ribeirinhos e povos de terreiro.
Além disso, o movimento foi convidado a compor as atividades da tenda ao lado do Quilombo Mesquita, de Goiás, promovendo diálogos sobre racismo ambiental, juventude negra, cultura e espiritualidade nos territórios. O espaço foi uma oportunidade de troca e resistência simbólica, com exposições, rodas de conversa e apresentações culturais.
“A participação na Tenda Multiétnica foi muito importante. Tivemos um espaço de fala e escuta, de construção coletiva. A CONAQ e o Quilombo Mesquita levaram suas experiências, e isso fortalece nossa luta”, acrescentou Sandra.
Cultura, cinema e política: Espaço de luta
O FICA 2025 trouxe como tema central “Territórios em resistência: cinema, ancestralidade e justiça climática”, reunindo lideranças comunitárias, cineastas, ambientalistas, jornalistas e estudantes. Ao longo de seis dias, a cidade de Goiás, patrimônio cultural da humanidade, tornou-se ponto de encontro de movimentos sociais e redes de ativismo ambiental e cultural.
Nossa presença reafirmou a importância da comunicação popular e da cultura como instrumentos de denúncia, empoderamento e fortalecimento da memória coletiva. O festival também abriu espaço para exibições de filmes sobre territórios quilombolas e experiências de resistência, fortalecendo a articulação com cineastas comprometidos com a pauta dos direitos territoriais.
Após o festival, Sandra Braga seguiu viagem rumo a Belém (PA), onde participa de novas agendas estratégicas da CONAQ voltadas ao fortalecimento da luta quilombola na Amazônia. A agenda inclui reuniões com aliados institucionais, movimentos parceiros e debates sobre políticas públicas para os territórios negros rurais da região Norte.
“A luta é contínua. Seguimos viajando, conversando, resistindo. Estar no FICA foi importante para mostrar que os quilombolas não estão à margem do debate climático, somos protagonistas da preservação dos biomas brasileiros”, finalizou.
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 19:08:58
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