17 de novembro de 2025
CONAQ intensifica incidência na COP30 e reforça centralidade dos povos afrodescendentes e quilombolas no debate climático
Encontros diplomáticos e painéis estratégicos marcam a agenda de 17 de novembro, destacando que não há justiça climática sem reconhecimento territorial e financiamento direto para as comunidades.
A agenda desta segunda-feira (17/11), na Conferência, foi marcada por articulação política de alto nível, participação em painéis internacionais e o lançamento de um manifesto audiovisual que denuncia a violência crescente contra lideranças quilombolas, reafirmando o lema que ecoou ao longo do dia: quando o povo preto se articula, o mundo escuta.
Encontro com a vice-presidente da Colômbia fortalece agenda afrodescendente
Logo pela manhã, CONAQ, CITAFRO e o secretário do MIR, Ronaldo dos Santos, reuniram-se com a vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, acompanhados de Jhonny Martins e Kátia Penha. O diálogo reforçou o apoio brasileiro à declaração internacional proposta pela vice-presidência colombiana, que busca avançar no reconhecimento dos povos afrodescendentes como sujeitos essenciais das políticas climáticas globais.
A reunião reafirmou o compromisso conjunto de fortalecer a unidade continental, ampliando a voz dos territórios na disputa por justiça racial, climática e territorial. Para as organizações presentes, a COP30 representa um marco histórico para consolidar esses direitos no âmbito internacional.
Painel sobre energia e conectividade destaca desafios da Amazônia
No Fórum Internacional da Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais, José Carlos Galiza (CONAQ) e Jussara Salgado (Saúde e Alegria) integraram o painel “Energia, Conectividade Rural e Manejo de Recursos Hídricos”. Eles enfatizaram que garantir acesso à energia de qualidade e conectividade significativa é condição básica para fortalecer a autodeterminação dos povos da floresta.
Educação, telemedicina, produção sustentável e comunicação territorial dependem dessa infraestrutura, fator decisivo para o bem viver e a soberania das comunidades amazônicas.
Mulheres afrodescendentes no centro da agenda climática
No pavilhão do Chile, na zona azul, a mesa “Territórios, povos e clima: diálogos interculturais entre o Convênio 169 da OIT e a agenda climática global rumo a 2035” trouxe a participação de Mabel Lopez Castilho (CITAFRO). Ela destacou o papel histórico das mulheres quilombolas, indígenas e negras na preservação dos modos de vida tradicionais.
Mabel alertou para problemas estruturais como a falta de acesso à água potável e reforçou a defesa da consulta prévia como direito inegociável. Sua fala reafirmou que são esses saberes, práticas agrícolas ancestrais e vínculos territoriais que sustentam biodiversidade e soberania alimentar.
Denuncia de violência e exigência de titulação urgente
Os comunicadores quilombolas lançaram um manifesto audiovisual contundente denunciando as pressões sobre os territórios: mineração, garimpo, grilagem e avanço do agronegócio. O vídeo também expõe um dado alarmante: entre 2019 e 2024, oito quilombolas foram assassinados por ano, em média.
O manifesto exige:
- titulação imediata dos territórios;
- fim do financiamento ao crime ambiental;
- proteção às lideranças;
- combate à impunidade.
A mensagem é clara: proteger a vida quilombola é proteger o planeta.
Fundo Mizizi Dudu reforça importância do financiamento direto
No painel “Financiando Soluções Locais: Adaptação Liderada pelas Comunidades”, o Fundo Quilombola Mizizi Dudu apresentou suas experiências e desafios. Valéria Carneiro destacou a exclusão histórica dos quilombos dos espaços de negociação climática e de acesso a recursos financeiros.
O Mizizi Dudu tem atuado para fortalecer a titulação e o georreferenciamento dos territórios, impulsionando iniciativas lideradas por mulheres quilombolas e promovendo autonomia comunitária. O debate reforçou a necessidade de ampliar recursos para soluções de base, respeitando os saberes locais.
Contribuições quilombolas e indígenas para enfrentar a crise climática
No lançamento da cartilha “Contribuições dos Povos Indígenas e Quilombolas para o Enfrentamento da Emergência Climática e Justiça Ambiental”, foi reafirmada a centralidade do corpo-território como eixo para enfrentar as mudanças climáticas. A cartilha destaca práticas, estratégias e conhecimentos que já funcionam como soluções efetivas para a adaptação e mitigação.
Gestão Territorial e Ambiental Quilombola em destaque
O painel “Gestão Territorial e Ambiental Quilombola: Contribuições para a Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas no Cerrado e Mata Atlântica” reforçou o papel do FGTAQ na implementação de ferramentas de gestão territorial e ambiental. O foco é fortalecer o uso coletivo dos territórios e ampliar a capacidade de adaptação das comunidades frente à crise climática.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota no Oceano, publicado às 22:44:24
Categoria: COP30