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10 de março de 2026

CONAQ inicia formação climática com Mulheres Quilombolas

Participantes compartilharam experiências de como seus territórios são diretamente impactados pela expansão de atividades econômicas que desconsideram os modos de vida das comunidades tradicionais.

No último sábado (7), a CONAQ iniciou, por meio da Secretaria/Coletivo de Mulheres, o curso de formação “Mulheres Quilombolas pelo Clima”, reunindo mulheres quilombolas de diferentes territórios do país, em um espaço de troca de saberes, fortalecimento político e aprofundamento do debate sobre justiça climática.

Na abertura, Micele Silva, Coordenadora de formação do coletivo, pontuou que a formação nasce da preocupação em garantir espaços de fortalecimento dos saberes quilombolas. A proposta é ampliar debates que as próprias comunidades já desenvolvem em seu cotidiano, valorizando práticas construídas historicamente pelas mulheres na defesa da vida, da natureza e dos territórios.

“Esse curso nasce das próprias experiências e necessidades dos territórios quilombolas. Não se trata de um curso produzido por universidades, instituições públicas ou organismos internacionais, mas de uma formação construída a partir das vivências das mulheres quilombolas e de suas práticas de resistência”.

Ausência de vozes nos espaços globais

Apesar disso, a mesma destacou a invisibilidade que ainda é enfrentada nos processos de formulação de políticas climáticas globais, e o quanto as mulheres quilombolas são as mais afetadas pelos desastres climáticos, pois estão diretamente envolvidas na proteção e na organização de seus territórios. 

O primeiro encontro abordou os impactos do agronegócio e de grandes empreendimentos nos territórios, trazendo relatos sobre contaminação por agrotóxicos, desmatamento e ameaças à saúde, à segurança alimentar e às formas tradicionais de produção das comunidades. As discussões também evidenciaram como a água, os rios e os bens naturais estão no centro dos conflitos socioambientais que atingem diferentes quilombos.

As participantes compartilharam experiências de seus territórios, demonstrando que esses impactos se repetem em diversas regiões do país e estão diretamente relacionados à expansão de atividades econômicas que desconsideram os modos de vida das comunidades tradicionais.

Realidades compartilhadas entre comunidades

Durante o diálogo, também foram discutidas políticas climáticas nacionais e internacionais, destacando a importância de reconhecer o papel dos povos quilombolas na proteção dos territórios e na construção de soluções para a crise climática.

A formação seguirá nas próximas semanas, abordando temas como os impactos da indústria do petróleo, da energia eólica e das políticas ambientais sobre os territórios quilombolas. 

Uma iniciativa que integra as ações da Secretaria/Coletivo de Mulheres da CONAQ, voltadas ao fortalecimento da participação das mulheres quilombolas nos debates sobre clima, território e justiça socioambiental.