10 de novembro de 2025
CONAQ inicia COP 30 com força quilombola e protagonismo feminino apesar das limitações de credenciais
Primeiros painéis destacaram a centralidade dos territórios e das tecnologias ancestrais para a justiça climática, reafirmando que não há transição justa sem quilombo titulado
Mesmo com participação limitada, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) iniciou sua participação na COP 30 com intensidade e propósito. Logo no primeiro dia da Conferência (10), a presença quilombola se fez sentir em diferentes espaços, da Zona Verde à Zona Azul, reafirmando a mensagem que orienta toda a delegação: “Não há Justiça Climática sem Quilombo Titulado.”
Os compromissos começaram no Pavilhão Círculo dos Povos, na Zona Verde, com o painel “Territórios, Tecnologias Ancestrais e Justiça Climática: Caminhos tecidos pelas mulheres Quilombolas frente à Mudança Global do Clima”, às 11h45. O encontro reuniu lideranças femininas de diversas regiões do país: Micele Silva (Coletivo de Mulheres, CONAQ), Queila Couto (MALUNGU), Samilly Valadares (Instituto Perpetuar) e Élida Monteiro (Quilombo Itancoã-Miri), com mediação de Keyse Valadares.

Crédito: Pedro Garcês/Comunicação CONAQ
Em um debate marcado por emoção, sabedoria e ancestralidade, as participantes ressaltaram que são as mulheres quilombolas que, há séculos, cuidam da terra, do povo e da biodiversidade, e que as soluções para a crise climática global estão enraizadas nos saberes e modos de vida dos quilombos.
A discussão também abordou temas como a NDC Quilombola, justiça racial e de gênero, e as estratégias políticas e comunitárias que emergem dos territórios para enfrentar as mudanças climáticas.
“As mulheres quilombolas são guardiãs de saberes que sustentam a vida. A justiça climática precisa reconhecer essas tecnologias ancestrais que sempre existiram nos territórios”, destacou uma das painelistas.
Na parte da tarde, a coordenadora nacional da CONAQ, Edna Paixão, levou as vozes quilombolas até a Zona Azul, durante o painel “Cartas de Direitos Climáticos: Território Tecendo Futuros Possíveis para Crianças e Jovens”. Em sua fala sobre “Fortalecimento da Juventude frente à Crise Climática através da Educação Quilombola”, Edna enfatizou que os jovens quilombolas enfrentam diretamente os impactos das mudanças climáticas e do racismo ambiental, que afeta desde a educação até as condições de vida nos territórios.

Crédito: Letícia Queiroz/Comunicação CONAQ
“Os quilombos preservam a floresta por meio de nossas relações históricas com o território. Avançar no enfrentamento à crise climática só será possível com uma educação quilombola fortalecida. E reafirmo: sem a titulação dos territórios quilombolas, não há justiça climática”, afirmou Edna.
Encerrando o primeiro dia de atividades, a CONAQ também marcou presença na inauguração da Estação Amazônia Sempre, reforçando sua aliança com outros povos e movimentos que constroem soluções coletivas para a crise climática. As lideranças Kátia Penha e Oswaldo Bilbao representaram a força e a sabedoria quilombola e afrodescendente, reafirmando o papel essencial das comunidades na preservação ambiental e na construção da justiça climática global.

Crédito: Pedro Garcês/Comunicação CONAQ
Apesar dos desafios e do número limitado de credenciais, o primeiro dia da CONAQ na COP 30 mostrou que os quilombos estão ocupando com potência, ancestralidade e articulação política os espaços internacionais de decisão climática. A mensagem deixada é clara e firme: sem quilombo titulado, não há justiça climática!
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota no Oceano, publicado às 23:53:59
Categoria: COP30