16 de novembro de 2025
CONAQ encerra primeira semana da COP30 com defesa do financiamento direto e apoio ao manifesto afrodescendente
Quilombolas reforçam que autonomia territorial, fundos e reconhecimento político são pilares indispensáveis para uma transição climática justa.
A primeira semana da COP30 foi concluída com uma agenda marcada por incidência política, denúncia e afirmação do protagonismo quilombola na governança climática global. No painel “Fundos comunitários e o acesso ao financiamento direto: como contribuem para a implementação dos planos de gestão territorial”, realizado neste domingo, a organização destacou a urgência de colocar recursos financeiros diretamente nas mãos das comunidades que protegem os territórios e sustentam a vida.
Representando o movimento quilombola, Jhonny Martins, diretor administrativo e coordenador nacional da CONAQ, integrou a mesa ao lado de Toya Manchineri, Rose Apurinã (Fundo Podaali) e Fany Kuiru (COICA). Em sua fala, Martins reforçou que o fortalecimento dos fundos comunitários é condição indispensável para a autonomia territorial, a proteção das florestas e a implementação de planos de gestão construídos a partir da ancestralidade e do conhecimento tradicional. “Financiamento direto é futuro, é proteção, é justiça climática”, afirmou.
A presença quilombola no debate reafirmou que não basta reconhecer o papel das comunidades tradicionais: é necessário garantir mecanismos financeiros que permitam que suas soluções sejam implementadas com soberania. O recado é claro, territórios vivos exigem recursos vivos, que cheguem sem intermediários a quem cuida da terra, das águas e da biodiversidade.
Ainda ao longo do dia, comunicadores quilombolas produziram um vídeo-manifesto em apoio à carta pública divulgada pela CITAFRO, exigindo que a ONU reconheça oficialmente os povos afrodescendentes como atores políticos e ambientais na COP30. A Coalizão Internacional de Territórios e Povos Afrodescendentes da América Latina e do Caribe lançou, em Belém, um documento contundente denunciando o racismo ambiental, a pilhagem de territórios por indústrias extrativistas e as violações de direitos que atravessam toda a região.
Com mais de 200 milhões de afrodescendentes nas Américas, a CITAFRO afirma que não haverá futuro sustentável enquanto direitos territoriais, culturais e ambientais forem negados. A mensagem ecoou fortemente na Conferência: “Sem justiça racial, não há justiça climática.”
Confira a nota da CITAFRO na íntegra aqui.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota no Oceano, publicado às 22:13:06
Categoria: COP30