6 de março de 2026
Coletivo Nacional de Educação da CONAQ realiza planejamento e discute ações para os próximos anos
Encontro aconteceu nos dias 5 e 6 de março em Recife (PE) e contou com representações de 15 estados.
O Coletivo de Educação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) realizou, em Recife (PE), o Encontro de Planejamento 2026. Com o tema “Fortalecendo a Educação Escolar Quilombola no Brasil”, o evento aconteceu nos dias 5 e 6 de março com a presença da coordenação do Coletivo Nacional e das representações dos coletivos estaduais para dialogar, avaliar ações e definir estratégias voltadas ao fortalecimento da educação escolar quilombola no país.
Além das representações de Pernambuco, estavam presentes professores, educadores e lideranças quilombolas da Bahia, Piauí, Tocantins, São Paulo, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná, Pará e Goiás.
No primeiro dia, foram apresentados panoramas das principais iniciativas conduzidas pelo Coletivo de Educação, com atualização sobre o andamento de projetos como:
- Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas
- Curso de Formação de Professoras e Professores Quilombolas
- Projetos Político-Pedagógicos (PPP) em territórios quilombolas do Maranhão e do Amazonas
- Edital de Reconhecimento Nacional Givânia Maria da Silva de Práticas e Vivências em Educação Quilombola
- Rede de Pesquisadoras e Pesquisadores Quilombolas
- Revista EducaQuilombo.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante a fala da co-fundadora da CONAQ e coordenadora do Coletivo de Educação da CONAQ, Givânia Maria da Silva. A liderança quilombola se emocionou ao falar sobre o edital de práticas em educação quilombola, que leva seu nome.
A programação do dia também contou com a apresentação de dados relacionados a educação básica, ensino superior e uma mesa de diálogo entre representantes da CONAQ, financiadores, e Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI).
As parcerias externas puderam conhecer, com mais detalhes, as iniciativas do Coletivo Nacional de Educação da CONAQ. Além de articulações com parceiros, o assessor do deputado estadual Doriel Barros esteve presente no encontro. Rafael Roani ouviu demandas apresentadas pelas lideranças quilombolas de Pernambuco sobre a Educação Escolar Quilombola e se comprometeu a encaminhar, junto ao deputado, para aperfeiçoar as leis que já existem, como por exemplo a lei que cria a Política Nacional de Equidade na Educação para as Relações Étnico-raciais, que não menciona a Educação Escolar Quilombola.
A programação do segundo dia contou com apresentações dos Coletivos Estaduais. Representantes de vários estados apresentaram suas coordenações, como o grupo tem resistido, quais os maiores desafios e fortalezas do Coletivo a nível estadual. Os educadores e educadoras presentes formaram grupos e listaram as ações prioritárias para serem realizadas a nível nacional pelo Coletivo de Educação da CONAQ.
Givânia Maria da Silva participou dos dois dias do encontro e afirmou que ouvir as demandas e fortalezas do Coletivo nos estados foi importante para traçar novas estratégias.
“Nesses dois dias nós discutimos o nosso papel enquanto quilombolas, enquanto movimento nacional de monitoramento e acompanhamento do Plano Nacional de Educação (PNE), da Política Nacional da Equidade, do Sistema Nacional de Educação entre outros. Também escutamos os estados e as dificuldades que nascem de um racismo que ainda não superamos”, disse Givânia.
“Nós chegamos ao final deste encontro com saldos muito positivos onde fizemos escuta nacional e planejamos ações para os anos de 2026 e anos seguintes. Avalio que os dias foram muito produtivos e fortalecem o planejamento que a CONAQ já fez de forma geral, mas esse tem uma pauta específica, que é a pauta é educação escolar quilombola”, afirmou Givânia.
Cleane Silva, Coordenadora Nacional da CONAQ, participou dos debates e falou sobre a importância do protagonismo quilombola na luta por uma educação de qualidade.
“Aprendemos, geração após geração, a ler nossa própria realidade com os pés fincados no chão e na memória ancestral, e é desse acúmulo histórico que hoje avançamos com mais firmeza: somos nós que realizamos o levantamento dos dados, cruzamos nossas leituras com os registros oficiais e transformamos esse conhecimento em instrumento de incidência direta e qualificada sobre as políticas públicas”, disse.
Cleane afirma que a articulação com 15 coletivos estaduais, com a rede de confluência de pesquisadores e com a Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas e com entidades parceiras, “fortalece nossa capilaridade organizativa, amplia a formação de multiplicadores junto às coordenações estaduais e consolida a base nacional da CONAQ, reafirmando, de forma inegociável, o protagonismo quilombola na defesa da vida, dos territórios e do nosso futuro coletivo”, finalizou.
Texto por Letícia Queiroz, publicado às 19:44:23
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