28 de julho de 2025
Carta reafirma urgências e conquistas da educação quilombola em Conceição das Crioulas
Documento lançado durante o 4º Encontro com as Artes, as Lutas, os Saberes e os Sabores destaca avanços, denúncia desafios e propõe ações para fortalecer os territórios e a identidade quilombola
Durante cinco dias intensos, entre 13 e 17 de julho de 2025, Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE), foi palco de encontros potentes entre lideranças quilombolas, educadores, pesquisadores, artistas, estudantes e apoiadores. Fruto desse momento de trocas e aprendizados, nasceu a Carta do 4º Encontro com as Artes, as Lutas, os Saberes e os Sabores, um documento político-pedagógico que reflete os sentimentos, diagnósticos e propostas dos participantes.
A carta foi construída com base em vivências nas escolas e espaços comunitários, onde cerca de 570 estudantes e 80 profissionais da educação participaram de oficinas, formações, exposições e debates. O encontro teve como tema central “Crioulas: orgulho de ser quilombola”, que também nomeia a campanha lançada para fortalecer a identidade, ampliar a luta e garantir os direitos dos povos quilombolas.
O texto denuncia os impactos da chamada “cosmofobia do desenvolvimento” conceito que questiona a lógica colonial que ameaça territórios e modos de vida tradicionais e reitera a importância da Educação Quilombola como forma de resistência e de garantia de futuro. Além de celebrar avanços, como o aumento de vagas para licenciaturas específicas e a valorização de mestres e mestras de saberes tradicionais, o documento traz recomendações urgentes ao poder público.
Reivindicações centrais:
- Fortalecimento da Educação Escolar Quilombola:
Entre as demandas estão concursos específicos para profissionais quilombolas, implementação das diretrizes curriculares nas redes públicas, visibilidade estatística da população quilombola e ampliação da Educação de Jovens e Adultos nos territórios.
- Regularização fundiária e acesso a direitos básicos:
A carta cobra celeridade na titulação das terras, acesso à água potável, desburocratização das políticas de segurança alimentar e respeito à ancestralidade dos territórios.
- Valorização das artes e das cadeias produtivas locais:
Defende o mapeamento das mestras artesãs, políticas de escoamento da produção e sua integração às atividades escolares, garantindo que o fazer cultural seja reconhecido como patrimônio e estratégia de renda.
Educação como ferramenta de libertação
Ao reafirmar a Educação Quilombola como um espaço de aquilombamento e enfrentamento ao racismo estrutural, a carta propõe que escolas, universidades e centros de pesquisa revisem suas práticas, combatam o extrativismo acadêmico e fortaleçam vínculos éticos com as comunidades.
O documento foi assinado por dezenas de lideranças quilombolas, representantes das escolas locais, organizações parceiras como SETA, Imaginable Futures, Gerência de Educação Escolar Quilombola da Secretaria de Educação de Pernambuco, além de universidades do Brasil, Guiné Bissau e Portugal.
Leia a carta na íntegra aqui: Carta do 4º Encontro
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota No Oceano, publicado às 16:53:32
Categoria: Educação Quilombola