
3 de abril de 2025
Afrodescendentes se reúnem em Brasília para exigir ação climática rumo a COP30
Encontro ocorre na capital federal do dia 01 a 04 de abril.
Os compromissos rumo à Conferência de Partes seguem a todo vapor! Entre os dias 1 a 4 de abril a Coalizão Internacional para Terras e Territórios e Mudanças Climáticas está reunida para o evento: Vozes Afrodescendentes a Caminho da COP30.
Delegados do Brasil, Chile, Costa Rica, Colômbia, Equador, Honduras, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e Caribe se encontram em Brasília para a construção de uma agenda política e estratégica rumo à Conferência de Partes que vai ocorrer em novembro em Belém, no Pará.
Na quarta (2), primeiro dia oficial da reunião, os integrantes tiveram uma troca enriquecedora nas duas mesas de diálogos. A abertura contou com uma mística realizada pela coordenadora executiva da CONAQ, Sandra Maria e, logo em seguida, foi a vez de Selma Dealdina trazer aos convidados um documento importante durante sua fala.

Na ocasião, fez a entrega do material “O Brasil Quilombola” , elaborado em parceria com o IBGE, que reúne de forma detalhada a quantidade de quilombolas por cidades dos 24 estados. “Esse material, ele é muito bom, porque o Estado brasileiro dizia que não sabia quanto era a população negra no Brasil. E a Conaq durante 14 anos travou essa luta com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, para que pudesse contar a população preta. Por isso, esse material aqui é uma conquista muito importante para nós quilombolas”, ressaltou a articuladora política.
Já durante a mesa “Povos Afrodescendentes e a Agenda Climática” que contou com a participação de Fran Paula, Dario Solano e Altagracia Balcácer foram debatidos tópicos essenciais como justiça climática, reparação histórica e participação de mulheres e jovens.

“Como nós chegamos nessa COP? Onde falávamos da importância do legado? O que a gente quer deixar para a luta quilombola, para a luta afrodescendente no Brasil e em todo o mundo? Então, é preciso ter a dimensão do que a gente está enfrentando”, afirmou a coordenadora pelo estado do Mato Grosso.
“Nesse sentido, queremos salientar que devemos levar em consideração algumas soluções nesse sentido, como incluir as mulheres nos processos de tomada de decisão, que sejamos visíveis, que o impacto seja visualizado de maneira particular, não apenas nos envolvermos no total, em geral, porque isso desfoca a situação em que a mudança climática nos coloca. É preciso considerar de forma particular, específica, as necessidades das mulheres e das meninas no tema da adaptação às mudanças climáticas”, pontuou a representante do Caribe.
Por fim, no período vespertino, foi a vez de debater os pontos positivos e de melhoria que abrange desde a COP da biodiversidade até a COP do Clima, plano de trabalho Baku e plataforma de ação com comunidades indígenas e locais
Membros da CONAQ e do Processo de Comunidades Negras (PCN), realizaram um apanhado dos pontos positivos da COP 16 realizada em Cali na Colômbia em 2024. No entanto, também não deixaram de enfatizar os problemas que os afrodescendentes possuem nas Conferências das Partes ao longo dos anos entre eles:
O fato da CONAQ está aguardando há mais de 3 anos para conseguir autorização para emitir credenciais, o problema gritante relacionado a questão que não existem uma entidade/ organização preta brasileira entre os emissores de credencial do evento organizado pela ONU e as barreiras para incluir um pavilhão afrodescendente na COP 30;
Os debates vão seguir ao longo dos próximos dias, incluindo a presença de parceiros que vão contribuir acerca do principal evento do ano, tido como uma das prioridades da Coalizão.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota No Oceano, publicado às 14:41:35
Categoria: COP30