22 out

QUILOMBOLAS BRASILEIROS VÃO AOS ESTADOS UNIDOS PARA TRATAR DE QUESTÕES RACIAIS E DE DIREITOS HUMANOS

Lideranças quilombolas brasileiras estão nos Estados Unidos até o dia 20 de outubro para um intercâmbio sociocultural, promovido pelo governo norte-americano a profissionais brasileiros que atuem nas área de educação, democracia, diversidade, jornalismo, empreendedorismo, defensores dos direitos humanos, entre outros. A viagem foi mediada pela Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM) e pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que atualmente realizam trabalhos importantes de empoderamento dos povos tradicionais da floresta.

O grupo de lideranças quilombolas brasileiros com a prefeita da cidade negra americana de Boley (à dir.)

Embarcam para esse tour representantes da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Sandra Braga (quilombo Mesquita – GO), Célia Pinto (quilombo Cururucu – MA) e José Carlos Galiza (quilombo Guajará Mirim – PA). Na agenda, uma visita à Washington, onde se encontrarão com representantes que defendem pautas de ativismo racial. Em tempos de tantos embates envolvendo as questões raciais na política brasileira, vão discutir assuntos como regularização fundiária, conflitos e ameaças (homicídios contra quilombolas) e proteção do meio ambiente.

Ainda em Washington, visitarão a Howard University, uma das universidades que mais formam profissionais negros nos Estados Unidos, nas mais diversas áreas de formação e tem como compromisso tácito oferecer oportunidades às minorias. Lá, devem ocorrer discussões de perspectivas acadêmicas da discriminação racial nas Américas. A comitiva ainda passará pelo Congresso Nacional dos Índios Americanos e pelo Museu Nacional de História e Cultura Afro-americana, onde se encontrarão com estudiosos e lideranças de movimentos étnicos.

“As lutas dos afroamericanos nos Estados Unidos é algo muito arraigado e forte no país, o que no Brasil acontece um pouco mais velado. A ida de representantes brasileiros dá voz não só a pessoas que sofrem por serem negras, mas carregam cicatrizes históricas de seus antepassados e o tempo todo precisam defender sua terra e suas raízes”, destaca Vasco Van Roosmalen, da Ecam.

*Fotos: Ana Carolina Fernandes

*Texto: Agência Prezz