Adolescentes assumem controle da Defensoria Pública e levantam a bandeira dos quilombolas

Ação global do UNICEF #CriançasNoControle marca o Dia Mundial da Criança. Em PE, iniciativa acontece no Recife e em Orocó

 

Adolescentes assumem controle da Defensoria Pública e levantam a bandeira dos quilombolas. Foto: Divulgação
Adolescentes assumem controle da Defensoria Pública e levantam a bandeira dos quilombolas. Foto: Divulgação

Esta semana, crianças e adolescentes assumem o controle de funções-chave no setor público e privado, em todo o mundo, ao longo. Batizada no Brasil de #CriançasNoControle, a iniciativa idealizada pelo UNICEF para marcar o Dia Mundial da Criança e garantir voz a meninas e meninos sobre temas relevantes para a infância. 

Em Pernambuco, tem o diferencial de envolver crianças e adolescentes de comunidades tradicionais, chamando a atenção para questões relevantes para a infância também fora dos centros urbanos. A ação marca tanto o Dia Mundial da Criança, celebrado em 20 de novembro, como a Semana Nacional da Consciência Negra.
Yara Silva, 15 anos, e Fabilson Oliveira, 14, dois adolescentes quilombolas, serão os protagonistas da primeira ação, nesta terça-feira (21), no Recife. Os adolescentes assumirão o controle da Defensoria Geral de Pernambuco para discutir a importância do direito ao território pela comunidade quilombola e a repercussão diante do atual impasse sobre direitos já preconizados pela Convenção dos Direitos das Crianças, do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Constituição Federal.

Os dois vivem em uma das mais emblemáticas representantes da tradição quilombola em Pernambuco: a comunidade de Conceição das Crioulas, a cerca de 500 quilômetros da capital, que abriga 3.800 pessoas. Eles vêm à capital acompanhados do professor Adelmir José Silva, gestor da Escola Professor José Mendes, onde ambos estudam e já vêm discutindo o tema, que ganhou mais relevância diante dos questionamentos da Ação Direta de Incostitucionalidade nº 3239/03 ao Decreto nº 4.887/2003, que regulamenta a identificação, delimitação, reconhecimento e titulação das terras ocupadas por comunidades quilombolas.

Sobre as comunidades quilombolas – Os quilombos representam uma das formas de resistência e combate à escravidão no Brasil (séculos XVII e XVIII), abrigando os negros que conseguiam fugir e oferecendo, nestas comunidades, a liberdade para viver de acordo com a cultura africana. Nos quilombos, eles podiam plantar e produzir em comunidade, contribuindo também com a formação da cultura afro-brasileira. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. Por estarem em locais afastados e protegidos, muitos quilombos permaneceram ativos mesmo após a abolição da escravatura, em 1888, dando origem às atuais comunidades quilombolas. Atualmente, a Fundação Palmares possui 2.523 comunidades certificadas, embora as estimativas cheguem a cerca de 5 mil em todo o país.

Saiba mais sobre os defensores mirins:

Yara Alicia Oliveira Silva, 15 anos – Yara é uma adolescente quilombola de Conceição das Crioulas, estudante do 9º ano da Escola Professor José Mendes, possui gênio forte, é destemida e tem levado o nome da comunidade a várias partes do Brasil através do esporte na modalidade de futsal. Ela é uma das integrantes da única escola quilombola a sagrar-se bicampeã pernambucana, vice-campeã da 2ª divisão dos jogos da juventude em Natal (RN), em 2013, e 5ª colocada também nos jogos da Juventude em Londrina (PR), em 2014.
Fabilson Antonio de Oliveira, 14 anos – A preservação dos costumes tradicionais de Conceição das Crioulas é uma ação levada a sério pelas escolas, associação local e lideranças do território. Com base nesta preocupação, surgiu o projeto Ao Som do Pífano, ação de preservação e manutenção da banda de Pífano de Conceição das Crioulas. Fabilson integra a banda e atua nas tocadas dentro e fora da comunidade, praticando e valorizando a cultura local, assim como seu bisavô, pifeiro e parteiro.